6 Dicas Para Começares Já a Praticar Mindfulness

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Nas formações e sessões que facilito de Mindfulness e de Parentalidade Consciente falamos, muitas vezes, de meditação.

Encontro muitas pessoas que querem meditar, mas ”não conseguem” ou ”não têm tempo”. Admitem os benefícios, mas as crenças à volta do que é meditação não permitem a prática.

Uma das coisas fundamentais na Parentalidade Consciente é assumirmos responsabilidade pelas nossas necessidades e pelo nosso estado emocional.

Se não estamos bem, como é que podemos ser bons pais?

Se existe caos interior, como vamos conseguir criar calma no exterior?

É realmente necessária uma preparação interior e o Mindfulness (e a meditação Mindfulness) é a melhor prática que conheço para garantir que consigo exercer uma parentalidade consciente.

Também eu tinha grandes dificuldades para me organizar e encontrar tempo para meditar formalmente. Até perceber que meditação não precisa de ser nada formal.

Não necessito de me sentar com as pernas cruzadas, não preciso de acender velas, nem preciso de estar num ambiente calmo, não preciso de fechar os olhos…. nem preciso de mais tempo!

Para mim, a principal prática é aparecer para a vida, todos os dias. Com curiosidade e sem julgamentos.

Procurando viver ao máximo cada momento. Sabendo que tudo que acontece, acontece pela primeira e pela última vez.

Se pensares bem, nenhum de nós faz a mesma coisa duas vezes. De cada vez existe algo de diferente. A prática é estar com o que é, inteira, conscientemente presente.

E é por isso que a prática de meditação Mindfulness pode ser tanta coisa e para, muitas pessoas, o primeiro passo não é organizar-se para meditar todos os dias durante 20 minutos, se calhar nunca será.

As boas notícias são mesmo que apesar de tudo que ”tens” de fazer durante o dia, todas as tarefas de casa, tarefas com os filhos, tarefas no trabalho… todas essas tarefas podem ser transformadas em práticas de Mindfulness!

O primeiro passo é olhares para o teu dia e ver o que já fazes que poderias fazer de uma forma Mindful.

Lavas os dentes? Tomas banho? O que fazes enquanto lavas os dentes? Lavas apenas os dentes ou pensas no que aconteceu ontem? O que fazes quando tomas banho? Tomas apenas banho ou pensas no dia que tens à tua frente? Passas roupa a ferro? Fazes o jantar? Dás banho ao teu filho?

A questão à qual tens de responder é: o que na minha rotina diária vou escolher para fazer enquanto o estou a fazer? 

Começa por escolher 1 coisa. E a partir de hoje, faz esta coisa enquanto a fazes. Podes-te guiar pelas seguintes dicas enquanto fazes a tarefa… ou melhor, a tua nova prática de Mindfulness!

  1. Observa. Observa como se fosse a primeira vez com todos os teus sentidos. Cada movimento, cada sensação. Repara em cada detalhe da atividade.
  2. Se te apanhares envolvido nas histórias da tua mente (o mais provável é que isso aconteça), redireciona, com gentileza, a tua atenção para a respiração, permitindo-te voltar para o que estás a fazer neste momento. As vezes vai ser necessário fazer isto 100 vezes, outras vezes apenas algumas.É como é.
  3. Utiliza todos os sentidos. Tens 5, lembras-te? Qual é a sensação nas mãos? Texturas? Temperaturas? Qual é o cheiro? O que vês? O que ouves? Quais os sabores que estás a sentir na boca?
  4. Tens pensamentos que aparecem continuadamente? Começas a ter grandes ideias que tens medo de te esquecer? Anota-as rapidamente para a tua mente poder descansar. Com a prática vais ver como vais conseguir deixá-las ir, confiando que te vais lembrar novamente quando for necessário.
  5. Pratica o não-julgamento. Cada momento é como é para ti. Nada está a correr bem ou mal. Não existe uma forma certa de fazer este exercício. Existe apenas a forma como estás a fazer neste momento. Não te julgues. Deixa ir pensamentos tipo ”eu não consigo” ”eu penso demasiado” etc.
  6. Repete. Mesmo que não te tenhas sentido muito bem a primeira vez, tenta de novo. Lembra-te que cada vez é única e a próxima será diferente de certeza absoluta.

Quando integrei a prática de Mindfulness no meu dia-a-dia, passado algum tempo, a minha prática formal também ganhou o seu espaço na minha rotina diária.

Além disso encontro tantos pequenos momentos nos quais tenho oportunidade de fechar um pouco os olhos e meditar de uma forma mais formal.

Um deles por exemplo quando deito os meus filhos e fico ao lado deles um pouco. Ou posso demorar só mais um pouco na casa de banho a meio de um dia de trabalho. Ou posso fechar os olhos e respirar conscientemente 3 vezes antes de atender o telemóvel.

Mas a primeira grande diferença para mim foi realmente transformar a rotina normal em prática.

Essa prática permite-me sair da minha cabeça, permite-me experienciar mais os momentos e conectar mais com os meus filhos.

Permite-me ver e usufruir do pequeno raio de sol que observo entre as nuvens. Permite-me ver a beleza de cada momento. Permite-me ver tudo pela primeira e pela última vez.

 

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