Como entregar, confiar, aceitar e agradecer?

Faz Scroll

Acredito que muitos de nós que vivemos o caminho do desenvolvimento pessoal e autoconhecimento escutamos muitas vezes (ou vezes sem conta o mantra) “entrego, confio, aceito e agradeço”.

Lembro-me de ter lido um texto no Blog do nosso professor Pedro Kupfer onde ele referia que ao ouvir pela primeira vez essas quatro palavras juntas, teve a mesma sensação de maravilhamento que sentiu noutras oportunidades, ao ouvir ensinamentos transformadores da boca dos mestres realizados e que teve a oportunidade de conhecer.

Ele continua assim nesse texto:

“Uma das grandes virtudes desses mestres é que eles podem transmitir a visão transformadora do Yoga através de palavras simples que não apenas ficam na memória mas tocam profundamente o coração. Hermógenes é esse tipo de mentor, difícil de se encontrar. 

Lá se vão quase duas décadas desde o momento em que escutei pela primeira vez estas palavras numa palestra que ele deu num espaço de Yoga em Florianópolis.

E muitas outras vezes as ouvi e li noutros lugares. E sempre elas tiveram (e continuam tendo) o mesmo peso, a mesma carga, a mesma promessa de que as coisas podiam ser mais do que pareciam, de que a vida não devia ser só aquela cilada da qual era preciso ser um ninja para poder sair.

Penso que as quatro palavras do aforismo tenham o mesmo peso. E mais peso ainda têm a união delas nessa ordem específica, pelo que revelam. Bom, o convite que recebi foi para refletir sobre a terceira das quatro palavras: aceitação. 

Aceitação, no contexto do Yoga, é um valor muito bonito e transformador.

Aqui, a palavra significa algo diferente daquilo para o que ela aponta por exemplo quando aceitamos aqueles termos de uso do computador que jamais lemos.

Aceitar não é, por outro lado, cultivar a resignação sôfrega de quem não consegue manter a equanimidade ou tende a se colocar como vítima das circunstâncias.

Sem ser o professor Hermógenes, e distando muito da sua sabedoria, atrevo-me a dizer que quando escolheu a palavra aceitação quis apontar para a virtude de manter o contentamento e o astral altos; não apenas quando as coisas estão fluindo da maneira que desejamos ou esperamos, mas igualmente quando a vida nos coloca aqueles inevitáveis desafios.

Aceitar situações das quais gostamos, ou aquelas que nos surpreendem agradavelmente é muito fácil. Aceitar coisas que nos são indiferentes tampouco implica algum desafio especial.

Agora, penso que a palavra aceitação esteja nesta frase justamente para nos lembrar de como lidar de maneira equânime com os obstáculos que vão nos ensinar alguma coisa.

Digo isto pois é fato que se as coisas só fluírem para nós na forma do conforto e da facilidade, não aprenderemos nunca nada. Aprendemos através dos desafios, das limitações e das dificuldades.

Como diz um ditado das gentes do mar, que ouvi do meu irmão, cuja casa é um veleiro: “mares calmos não fazem bons marinheiros”.

Porém, esse aprendizado não precisa ser sôfrego. É possível enfrentar desafios, com um sorriso nos lábios e paz no coração. É possível relaxar e apreciar do mar tormentoso como ele é.

Foi isso o que o deus Krishna ensinou o príncipe Arjuna à beira do campo de batalha: sem perder o sorriso nem a calma, apesar da trágica guerra fratricida que estavam vivendo.

O sorriso de aceitação surge da apreciação da ordem maior, de que nela, há um lugar para cada pessoa, para cada coisa e circunstância. 

A aceitação equânime implica, a priori, compreender a diferença entre o que podemos e o que não podemos mudar. E, alegremente, nos ajeitar dentro dessas situações, aceitando as pessoas e as coisas como são, vivendo conscientes e aplicando essa visão libertadora a cada momento.”

Pedro Kupfer com a frase “Sem ser o professor Hermógenes, e distando muito da sua sabedoria” revela a humildade que todos lhe reconhecem,  mas isto foi o que o professor deixou escrito sobre ele:

Pedro transmite sua convicção pessoal, própria de quem não aprendeu só de livros, mas da firme e constante prática.

Não sou profeta, mas prevejo os bons serviços que este autor prestará a todos os que aspiram por uma literatura honesta e fidedigna, fundamentada nas sagradas escrituras, os śāstras, de validade eterna.

Impressiona a cultura escriturística deste jovem autor. E isto é coisa rara.

Oferece segurança ao estudioso que, persistente na busca da verdade, se arrisca neste ululante e festivo “mercado” de falcatruas de Yoga, muito próprio do consumismo estupefaciente.

Como velho estudioso do Yoga, que sempre se negou a comprar falsificações a preços de liquidação, estou festejando o auspicioso trabalho do Pedro, quem, embora ainda jovem neste seu atual corpo atlético de escalador e surfista, informa, motiva, esclarece, com lucidez e honestidade, sobre a Sabedoria Eterna, revelando a maturidade de um venerável ancião.

José Hermógenes

Jaya Pedro Kupfer!

Comentários